No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, Vitória registra um marco importante no enfrentamento à violência de gênero: a capital capixaba alcançou 638 dias sem registrar casos de feminicídio. O resultado evidencia o impacto de uma política pública estruturada que integra ações de segurança, assistência social, saúde, educação e promoção da autonomia econômica das mulheres.
Em um país onde o feminicídio ainda representa um grave desafio social, o indicador coloca Vitória em posição de destaque no cenário nacional. A marca reflete o fortalecimento de uma rede de proteção que atua desde a prevenção até o acolhimento de mulheres em situação de violência.
Entre as estratégias adotadas está a atuação da Guarda Civil Municipal de Vitória, que realiza patrulhamento preventivo, acompanha o cumprimento de medidas protetivas e monitora o Botão Maria da Penha, tecnologia que permite resposta rápida em situações de risco. Quando acionado, o dispositivo envia a localização da vítima para a Central de Monitoramento da Guarda, que direciona imediatamente uma viatura ao local.
A rede de acolhimento também desempenha papel fundamental nesse processo. Um dos principais equipamentos é a Casa Rosa, centro voltado à saúde da mulher e ao atendimento de famílias em situação de violência intrafamiliar. Desde sua inauguração, em outubro de 2021, o serviço já realizou 16.200 atendimentos, com equipe multidisciplinar formada por médicos, enfermeiros, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais e psicólogos.
Outro ponto de apoio é o Centro de Referência em Atendimento à Mulher em Situação de Violência, que oferece acolhimento psicossocial e escuta qualificada. Entre 2022 e fevereiro de 2026, o serviço registrou 11.102 atendimentos a mulheres vítimas de violência doméstica. Desde a criação do equipamento, em 2006, já foram contabilizados 34.913 atendimentos.
As ações de prevenção também incluem iniciativas de orientação e conscientização. O projeto Maria da Penha vai à Cidade, realizado em feiras livres da capital, promove informações sobre direitos e canais de denúncia. Em 2025 foram realizadas 2.800 abordagens, e em 2026 a iniciativa já alcançou 1.200 mulheres.
Além das ações diretamente voltadas à segurança e proteção, políticas sociais também contribuem para reduzir vulnerabilidades. A ampliação da educação em tempo integral, que passou de quatro escolas em 2022 para cinquenta unidades em 2026, tem ampliado oportunidades para as famílias e permitido que muitas mães tenham acesso a cursos de qualificação profissional.
Outro eixo importante é o programa Vix Mais Cidadania, que ampliou a proteção social de famílias em situação de vulnerabilidade e contribuiu para a erradicação da extrema pobreza na capital.
Para o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, o resultado demonstra que o enfrentamento à violência contra a mulher exige uma atuação integrada do poder público.
“A violência contra a mulher não é um problema isolado. Ela exige políticas públicas que envolvam segurança, educação, assistência social e geração de oportunidades. Os 638 dias sem feminicídio mostram que é possível avançar quando o Estado atua de forma coordenada e com prioridade na proteção das mulheres”, afirmou.
Neste Dia Internacional da Mulher, os dados reforçam que o avanço na proteção das mulheres passa por políticas públicas permanentes, presença do poder público nos territórios e fortalecimento de uma rede de apoio capaz de prevenir a violência e salvar vidas.
