15 DE JUNHO: UM DIA QUE MARCA UMA VIDA E UMA LUTA
"Do aniversário à resistência: Marcos do Val relembra três anos de embate judicial e celebra fim das restrições"
Marcos do Val é senador da República pelo Avante/ES
Hoje é meu aniversário. Mas há três anos, o dia 15 de junho deixou de ser apenas a data em que celebro a vida e se tornou símbolo da luta que escolhi sustentar em defesa da democracia, das liberdades individuais e das garantias constitucionais de todo brasileiro — especialmente daqueles que, após o 8 de janeiro de 2023, passaram a ser tratados como inimigos do Estado por ousarem contestar um sistema que, há décadas, oprime nosso povo.
Foi numa tarde como esta, há exatos três anos, que agentes da Polícia Federal cumpriram mandados de busca e apreensão no meu gabinete no Senado e nas minhas residências em Brasília e Vitória. Não havia fato concreto que justificasse a operação, apenas a necessidade de produzir alguma prova, a qualquer custo, contra alguém que não cometera crime nenhum. Foi o início de um processo que se estenderia por quase três anos.
Dali em diante, conheci de perto quase todas as medidas cautelares previstas no Código de Processo Penal — todas, menos a prisão preventiva. Usei tornozeleira eletrônica. Vivi sob recolhimento domiciliar noturno, como se cumprisse pena sem condenação. Tive contas bancárias, salário e verbas de gabinete bloqueados. Fui impedido de me manifestar nas minhas próprias redes sociais. Tive passaportes apreendidos e a saída do país proibida, mesmo sendo senador eleito por quase um milhão de capixabas. Tudo sob decisões do mesmo ministro, Alexandre de Moraes.
Não escrevo isso com rancor, mas com a serenidade de quem atravessou a tempestade e chegou inteiro do outro lado. Porque os tempos agora são outros, e o mesmo 15 de junho que marcou o início da minha via-crúcis jurídica passa a significar também a mudança nos rumos do país.
As últimas cautelares contra mim foram revogadas este ano, depois de o próprio Ministério Público reconhecer que as investigações já haviam se encerrado sem fundamento para mantê-las. E não foi um fato isolado. Em abril do ano passado, a União Interparlamentar (IPU), que reúne parlamentos de mais de 170 países e é vinculada à ONU, reconheceu, por decisão unânime, que sou alvo de perseguição política no Brasil. Não foi um aliado que disse isso, mas a maior organização parlamentar do mundo.
Mais recentemente, a mais alta instância da Justiça italiana apontou que o mesmo ministro que conduziu as medidas contra mim acumulou, em outro processo, os papéis de vítima e julgador, colocando em xeque sua imparcialidade. Não fui eu que disse isso, mas a Justiça de outro país, vendo de fora o que muitos aqui, por medo ou conveniência, preferiram não ver.
Por tudo isso, o 15 de junho deixa de ser, para mim, apenas a lembrança do meu aniversário e do dia em que bateram à minha porta sem motivo. Passa a ser o dia em que comecei a entender que resistir, com fé e sem ódio, também é servir ao Brasil.
Aprendi, nesses três anos, que a Justiça dos homens pode demorar, errar e até se enganar por um tempo. Mas existe uma Justiça que não falha nem se atrasa: a Justiça Divina, que não esquece quem suportou em silêncio, sem perder a serenidade, em nome do que é certo, justo e bom. É essa Justiça que sustenta os fortes quando a dos homens vacila. E é com ela, hoje, que celebro mais um ano de vida.
